Homilia do VI Domingo de Páscoa 22/05/2022
22/05/2022 09:13 em Homilias

 

  HABITAR NO PAI (Jo 14,23-29)        

A Eucaristia nos convida a uma proximidade, a proximidade de Deus, que deseja habitar através de seu Filho Jesus no coração de cada ser humano. Sua presença irradia uma força em meio aos desafios e fraquezas que podemos experimentar.

A Liturgia deste VI Domingo da Páscoa neste itinerário a que somos chamados a percorrer, nos convida a tomarmos consciência da vocação que recebemos de Jesus: guarda a Palavra que ele recebeu do Pai, esta Palavra ele nos oferece, a coloca sob os nossos cuidados, depositando em nós uma confiança irrevogável, uma confiança sustenta na comunhão de amor.

Jesus fala ao coração dos seus discípulos, ele não dirige uma palavra vazia, sem vida, sem compromisso, descomprometida da realidade, esta palavra nos lança no movimento das grandes transformações a que somos convidados a executar. O mundo cada vez mais precisa de homens e mulheres que habitados pelo Pai, deixando-se conduzir pelo Filho, sejam uma alegria para o mundo.

 Que verdade mais profunda e exigente podemos experimentar: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele nossa morada” (v. 23). Para guardar é imprescindível, amar, o amor nos torna guardiões da palavra, não de uma palavra qualquer, mas da Palavra que ressoa do coração do Pai até o Coração do Filho.

Na perspectiva do Evangelho de João é necessário amar para guardar. Sem o amor não sabemos guardar, não se guarda qualquer coisa, só guardamos aquilo que consideramos de grande importância para nossa vida. Tudo parte do amor, ponto de partida e de chegada para a minha realização enquanto pessoa. “Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou” (v.24). Jesus não transmite a sua palavra, tudo que ele transmite é porque ouviu do Coração do Pai. Ele estar em contínua escuta do Pai para transmitir a sua palavra. Guardamos porque fizemos a experiência do encontro com a Palavra, pelo amor saímos da mera expectativa e adentramos no caminho jubiloso da experiência. O encontro com o Ressuscitado não é uma simples expectativa e sim um processo de transformação. Na verdade, nos transformamos naquilo que guardamos.

Tornar-se morada do Pai e do Filho é tudo o que podemos experimentar. Sou habitação de Deus, nem sempre percebemos a grandeza humana a que somos chamados a ser. Tudo isto precisa se transformar em uma presença, uma presença do amor do Pai no mundo. Ser discípulo é ser sacramento de uma Presença, uma presença de esperança e de alegria para este mundo desesperado e entristecido. 

Jesus não nos deixa sozinhos, ele nos confia um Defensor, um Consolador. Fico impressionado como ele nos apresenta o Espírito Santo, apresenta a partir do que ele irá exercer em nossa vida, na vida da Igreja. “Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (v. 26). A linguagem simbólica que Jesus nos apresenta do Espírito é do “pedagogo” aquele que nos toma pela mão e nos conduz, com a pedagogia do amor ao conhecimento da verdade de Deus. O Espírito Santo é nosso guia, nosso pedagogo, aquele que nos tira da ignorância e nos provoca para um conhecimento de plenitude.  Ele enviado pelo Pai em nome do Filho nos defende e nos consola. Como o mundo a realidade em que nos encontramos neste momento da história se faz necessário ser tocados por esta presença de defensora e consoladora.

Somos marcados por profundas inseguranças e diversos níveis e a dor parece se avizinha do ser humano, uma humanidade ferida que precisa ser defendida e consolada. Como é belo contemplar nesta liturgia o rosto defensor e consolador de Jesus. Há uma força que podemos experimentar em meio a nossa fraqueza: A força do Espírito Santo, a força do Ressuscitado que deixa-nos o dom de sua paz. “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou, mas não a dou como o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração” (v.27). Que paz é esta que nos é dada, deixada como dom? A paz do Ressuscitado, paz que é ele mesmo no coração de cada pessoa. O mundo não pode oferecer a paz, porque não tem esta paz que necessitamos. A paz oferecida por Jesus brota de uma comunhão com ele, de uma vida interior, de uma vida de amizade com ele, através da oração e de uma vida comprometida com as causas do Reino. A paz que o Ressuscitado oferece não é a “pax romana”, um estado de satisfação imediata, passageira, uma paz descomprometida da vida, do projeto de humanização, esta paz se contrapõe com a paz de Jesus. Somos sempre por mandato do próprio Jesus discípulos da paz, enviando para ser e transmitir a paz de Cristo que nos compromete com a vida.

Esta liturgia nos assegure a certeza de que o Cristo vai para junto do Pai, mas que volta nos assegurando sua presença na sua Igreja, na humanidade. “Vou, mas voltarei a voz!” (v.28). Esta certeza deve preencher nosso coração de profunda alegria, daquela alegria que ele mesmo transmite em nosso coração.

 

   O QUE PODEMOS REZAR DURANTE ESTA SEMANA 

1.   Nossa vida é uma história de amor, sou amado pelo Pai, no Filho. Vivemos desta transmissão recíproca do amor de Deus. Reze sua vida contemplando a alegria de ser uma pessoa amada. “Quem guarda sua palavra”, transformar-se em casa onde Deus habita. Sou habitação de Deus na medida em que deixo o amor habitar em mim.

2.   Rezar é criar dentro de mim uma comunhão, uma reciprocidade humana e divina, uma relação de unidade. “Eu e o Pai somos UM” (Jo 10,30). Quando que você se transforma em uma unidade e comunhão para o mundo? O amor é uma comunhão, o amor é um movimento de unidade.

3.   O Espírito Santo, nos fará recordar tudo, ele nos tira da inercia e nos coloca na memória do coração, da vida. Contemple a alegria que o Espírito santo deposita em seu coração. Transforme toda tristeza em possibilidade de alegria. 

  

 

  Pe. Marcos Antônio, CRL

Solânea 22 de Maio de 2022.

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